[vc_row full_width=”stretch_row”][vc_column][vc_single_image image=”3782″ img_size=”full” alignment=”center” style=”vc_box_rounded”][/vc_column][/vc_row][vc_row full_width=”stretch_row” equal_height=”yes” content_placement=”middle”][vc_column][vc_custom_heading text=”A gente gosta de ler fantasia para escapar da realidade?” font_container=”tag:h3|text_align:left” google_fonts=”font_family:Titillium%20Web%3A200%2C200italic%2C300%2C300italic%2Cregular%2Citalic%2C600%2C600italic%2C700%2C700italic%2C900|font_style:600%20bold%20regular%3A600%3Anormal”][/vc_column][/vc_row][vc_row full_width=”stretch_row”][vc_column][vc_column_text]Se você é uma daquelas pessoas que não gosta de ler e prefere esperar sair o filme, vou começar este artigo com um spoiler: A resposta para a pergunta do título é “sim”. Mas se você fosse esse tipo de pessoa, provavelmente não estaria em um site de uma editora, lendo um artigo sobre literatura e fantasia, então pegue uma caneca, seu café ou chá preferido e vamos continuar nosso papo para descobrir se essa fuga da realidade é boa ou ruim.
Por definição, a literatura não tem uma função definida. Cada pessoa tem uma relação muito pessoal com a leitura. E cada livro, por sua vez, proporciona uma experiência diferente para cada pessoa. Muitas vezes até experiências diversas para a mesma pessoa, dependendo das épocas em que ela releia um mesmo livro. Justamente por isso, seria muita prepotência minha dizer que a única coisa que buscamos em um livro de fantasia é escapar da nossa realidade. Por mais que isso, inevitavelmente, aconteça.
Mas por que buscamos essa fuga?
A verdade é que, para a maioria de nós, depois que formamos a nossa “bolha” de lugares e pessoas que conhecemos, o mundo se torna um lugar um pouco monótono e oferece poucas novidades e excitação no dia a dia. A todo o tempo, buscamos formas de escaparmos, mesmo que por alguns minutos, da nossa rotina, das notícias ruins que, atualmente, empilham-se, formando uma torre de desesperança, ou dos problemas pessoais que todos temos. Não é à toa que as pessoas, cada vez mais, mergulham em suas telas de TVs, celulares e computadores.
Filmes, séries, novelas e reality shows tornaram-se a principal forma de fuga da realidade hoje em dia, mas o prazer proporcionado pelas produções audiovisuais possuem um fator muito diferente dos livros: o de, nem sempre, precisarmos pensar, apenas absorver. E tudo bem, de vez em quando, nos darmos esse tempo para não pensar em nada, mas se nos entregarmos somente a isso, o que será do nosso cérebro?
A parte mais legal da literatura de entretenimento é que, além de viajarmos para novos lugares e conhecermos outras pessoas, quebrando um pouco dessa monotonia, podemos fazer isso enquanto também exercitamos, de forma prazerosa, nosso cérebro. Por meio da literatura somos capazes de conhecer, inclusive, mundos mágicos, cheios de criaturas e poderes que em nosso mundo real, mesmo com muito tempo e dinheiro sobrando, não poderíamos conhecer. De que outra forma conseguiríamos visitar, por exemplo, a distópica Sunder City, com suas criaturas decadentes, transformadas pelo fim da magia, senão nas páginas de O último sorriso na cidade partida, de Luke Arnold?
Mas o prazer de viajar para mundos fantásticos não é o único benefício dos livros de fantasia. No vídeo sobre literatura de entretenimento, que você encontra aqui no Trama TV , você pode conferir algumas das razões pelas quais essa literatura é tão importante. Uma delas é o exercício do nosso pensamento crítico e criativo, pois através dos olhos dos personagens dos livros, somos apresentados a diversos dilemas e problemas, alguns com os quais nos identificamos diretamente, outros que nos colocam para pensar: “O que eu faria no lugar deles?” Esse pensamento é extremamente importante para o fortalecimento do nosso senso crítico e de empatia, e eu não tenho como frisar mais a importância dessas noções no mundo em que vivemos hoje.
Segundo o psicólogo e romancista Keith Oatley, leitores de ficção são mais aptos a formar ideias sobre as emoções, as motivações e os pensamentos dos outros. E, por consequência, podem transferir essas experiências para a vida real. Oatley revisou um estudo sobre os benefícios da leitura para a imaginação, publicado na Trends in Cognitive Sciences , que se baseia na capacidade da ficção de simular uma espécie de mundo social que provoca compreensão e empatia no leitor. “Quando lemos ficção, nos tornamos mais aptos a compreender as pessoas e suas intenções”, explica o psicólogo.
Imagine-se na seguinte situação: no mundo real, em que você vive hoje, a Covid-19, maior vilã que estamos enfrentando neste momento, sofre uma série de mutações e começa a alterar as pessoas infectadas e a transformá-las em zumbis (admita que você pensou sobre isso no início dessa pandemia). Em pouco tempo, toda a população do mundo precisa se adaptar não só ao vírus, mas também aos zumbis, para sobreviver. Agora pare para pensar na sua rotina real, como era antes da pandemia, como está hoje, um ano depois, e como estaria daqui a um ano, neste cenário fictício de uma infestação zumbi Você continuaria morando no mesmo lugar? Buscaria ajuda entre seus amigos? Confiaria em um grupo de pessoas estranhas, mas com mais habilidades e recursos para sobreviver? Você buscaria uma forma de tentar resolver o problema da infestação ou apenas se adaptaria para sobreviver pelo máximo de tempo possível? Todos esses dilemas podem parecer completamente absurdos no mundo atual, mas muitos dos seus problemas reais requerem o mesmo tipo de pensamento crítico, análise de riscos e decisões que afetam as vidas de outras pessoas. Pode ter certeza de que a literatura já preparou você, através de dilemas fantásticos e surreais, para situações pelas quais você já passou, sem nem mesmo perceber.
Em última instância, ler para fugir da realidade tem sido também uma forte aliada na luta contra a depressão e o sentimento de definhamento causados pelo distanciamento social e pela pandemia. Enquanto não podemos voltar à normalidade para que tenhamos novas experiências e possamos conhecer novos lugares e pessoas incríveis, um livro com uma história envolvente pode amenizar um pouco os sintomas de ansiedade e desespero.
E esse exercício não precisa ser só durante a pandemia, claro. Para se ter uma ideia, desde 2013 existe uma política de saúde pública aplicada no Reino Unido chamada “biblioterapia”, que receita livros de ficção e fantasia a pacientes com doenças psiquiátricas. A iniciativa britânica, pioneira, se baseia em pesquisas recentes que avaliaram o papel dos livros de ficção no bem-estar dos pacientes. A melhor notícia é que para nós, que gostamos de ler, esse tratamento já é preventivo.
Portanto, não tenha vergonha de mergulhar de cabeça na fantasia. A leitura só proporciona benefícios para o nosso cérebro e, embora seja importante dedicar parte do nosso tempo de leitura ao aprendizado, é fundamental reservarmos também um tempinho na nossa semana para escaparmos um pouco da realidade, especialmente quando nos sentimos sufocados por ela. Não deixe de conhecer novos lugares e fazer novos amigos, sejam eles vampiros, magos, super-heróis ou criaturas místicas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]