Resenha: Uma Bruxa no Tempo – Trama

Resenha: Uma Bruxa no Tempo

Resenha: Uma Bruxa no Tempo

Uma Bruxa no Tempo é o romance de estreia de Constance Sayers. Nele somos apresentados à Helen Lambert, editora de uma revista conceitual, moradora de Washington DC e o tipo de mulher que transita livremente nos mais altos círculos sociais. O que ela desconhece é que já teve vidas anteriores: foi musa de artista que virou pianista em Paris nos anos 1890, atriz de Hollywood dos anos 1930 e potencial estrela de rock na década de 1970.

Helen tinha uma vida perfeita, amigos influentes, um marido tão culto e voltado para as artes quanto ela e um trabalho que a instigava. Até que o casamento sai dos trilhos e esse é o estopim para o início da etapa mais importante de sua vida: a busca pela verdade e pela liberdade. Tudo começa exatamente quando ela aceita ir a um encontro às cegas com um homem que alega conhecê-la por séculos. Luke Varner é um estranho, mas há nele algo de familiar.

A autora teve uma sacada genial ao optar contar a história de Helen e suas outras vidas através de pontos de vistas diferentes. No primeiro momento acompanhamos a narrativa pela perspectiva de Helen, em primeira pessoa. Seus sonhos são capítulos inteiros e são narrados por suas versões anteriores, em terceira pessoa. Basicamente temos duas linhas temporais, a vida presente dessa mulher e o passado, que nos é contado em ordem cronológica.

Parece um detalhe insignificante, mas a diferença entre pessoas na narração torna o leitor próximo de Helen e observador, assim como ela, de seu passado. Desvendamos juntos todos os mistérios que cercam as vidas dessa mulher e porque elas se repetem.

Sayers tem uma escrita instigante, com a capacidade de conquistar o leitor logo nas primeiras páginas e aguçar uma curiosidade que nos leva a devorar capítulo após capítulo, enquanto uma série de assuntos importantes são abordados. Uma Bruxa No tempo é uma leitura adulta e trata de temas como aborto, estupro, prostituição, suicídio, violência doméstica e contra a mulher, abuso psicológico e de substâncias químicas.
Quando embarcamos nos relatos de Juliet LaCompte, Nora Wheeler e Sandra Keane encontramos passagens com cargas emocionais pungentes e arrebatadoras, que revoltam, emocionam, despertam raiva, dor e alívio conforme a vida dessas mulheres se transformam.

É absolutamente incrível como essas passagens se transformam em verdadeiras viagens no tempo e como a autora transcende a barreira do papel para construir na mente do leitor belos cenários ricos em detalhes e perfeitamente caracterizados. Nos sentimos em Paris do final do século XIX, andando por suas ruas agitadas e pulsantes de arte e beleza. A nostalgia da Hollywood dos anos trinta é tão grande que o cheiro dos eucaliptos se mistura aos perfumes caros e ao luxo da vida das estrelas em ascensão. Caminhamos pela Los Angeles onde se tornar uma estrela do rock é o sonho de muitos e se torna nosso também.

As referências à arte, ao cinema e a música são muitas nessa obra, algo que a torna ainda mais rica e única.

Com tantos temas pesados e essa carga emocional a trama tem um lado voltado para o drama muito forte, mas que não sufoca o leitor. Se você espera encontrar uma fantasia de realismo mágico e repleta de aventuras, essa não é a obra pra você. Aqui temos uma mulher viajando através do tempo, passando por momentos difíceis e enfrentando todos eles com força e garra. O foco é a evolução dos personagens e a magia é apenas um toque sutil que amarra todas as pontas e cria uma trama de tirar o fôlego do leitor.

Não subestime o realismo mágico contido em Uma Bruxa no Tempo, ele dá um baile em muitas obras de fantasia e tem um toque sobrenatural que muitas obras de terror gostariam de ter e não conseguem.

Terminei essa leitura com um sorriso no rosto e já torcendo para que a Editora Trama também publique o outro livro da autora.

Quanto a você, tenho um conselho a dar: se encontrar alguém que desperte uma familiaridade estranha fique atento e leia essa história.

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